Breve descrição de Viena

Viena deve seu caracter internacional à alta percentajem de residentes extrangeiros. Quem visita o “Naschmarkt” —uma praça de mercado que com suas cafetarias e pequenos comércios constitui uma autêntica instituição vienesa— pode realizar uma viagem culinária ao mundo em um espaço muito reduzido. Cozinheiros de todos os continentes oferecem aqui especialidades regionais. Nas lojas encontram-se produtos alimentícios, temperos e ingredientes que usam-se na gastronomia dos países balcânicos, do Oriente Médio ou da América do Sul, como as variedades culinárias que mostram também a complexidade demográfica de Viena.

Muitos dos estrangeiros integraram-se em sua nova terra; apesar disto o grande número de residentes de outros países também dá origem à tensões que são motivo constante na discussão política entre os partidos.

A maioria dos descendentes dos imigrantes reconhecem-se somente pelos seus apelidos. Em Viena o termo “nativo” dependeu sempre de sua interpretação. Princípios do século XX uma primeira avalancha de imigração contribuiu decisivamente ao crescimento da cidade. Por exemplo, ao redor do ano 1900 muitos checoslovacos estabeleceram-se na capital, e junto a outros grupos étnicos chegados desde todo o território da monarquia, que conteve doze nacionalidades e uns 50 milhões de habitantes, marcaram importantes campos da vida colectiva. Assim, a cultura gastronómica vienesa, tal como a conhecemos hoje, e suas especialidades seriam impen sáveis sem a influência de checoslovacos ou húngaros; a vida cultural na metrópole foi marcada decisivamente pelos intelectuais judeus vindos de todo o território da monarquia austro-húngara; e uma olhada à guia telefónica de Viena mostra quantas famílias, que logicamente sentem-se como em sua casa na cidade, têm origens eslavas.
Devido à perda de amplas áreas de influência, a povoação, que tinha alcançado no ano 1918, no final da primeira guerra mundial e da monarquia danubíana, os dois milhões de habitantes, começou a reduzir-se paulatinamente. Depois da entrada das tropas alemãs (a chamada “aderência” de 1936), começou um desterro massivo da povoação judia vienesa que culminou com o assassinato organizado de judeus nos campos de concentração.

A nacionalização de refugiados do idioma alemão dos Sudetes depois da Segunda Guerra Mundial, não bastava para compensar a descida da povoação registada nos seis anos de guerra (1 939-1945). Não foi até princípios dos anos sessenta, quando fomentou-se a imigração dos chamados “trabalhadores convidados” desde Turquia e Jugoslavia para dissimular a carência da mão de obra nacional, que a povoação de Viena volveu a crescer. Actualmente a cidade tem - com um índice reduzido de natalidade e uma proporção baixa de crianças em comparação com a média européia - 1,6 milhões de habitantes aproximadamente.

Mas, onde estão as origens desta cidade que esteve duas vezes em três décadas confrontada com a destrução e um novo princípio, primeiro quando caiu o império dos Habsburgo em 1918 e depois a causa do bombardeamento das tropas aliadas em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, quando quase as três quartas partes dos edifícios da cidade foram destruídos ou danificados. Nas estribações orientais dos Alpes fundaram-se no Neolítico os primeros assentamentos. A paisajem de várzea, marcada pelo desbordamento do Danúbio na pendente do bosque de Viena e por afluentes do rio, atraiu aos celtas. Uns descobrimentos na colina Leopoldsberg permitem datar as primeiras povoações celtas no século IV antes de Cristo. E no Carnuntum os romanos fundaram no século 1 a província Pannonia. Em tempos do imperador Trajano (98- 117) alçou-se, no actual centro de Viena, um campamento da legião romana com o nome de Wndobona. Até a aparição dos hunos a cidade foi romana. A meados do século V os romanos retiraram-se de Vindobona e a povoação romana e celta estabelecida viu-se enfrentada com a invasão eslava. Ao redor do ano 900 os húngaros conquistaram a cidade, que desde entao foi crescendo e em 1156 foi nomeada cidade residêncial pelos Babenberg. A finais do século XII, a cidade tinha alcançado a actual Ringstral3e e foi protegida com um muro. Com a queda do “muro de aço” e a ampliação da União Europeia até o Este, Áustria vê-se confirmada no seu papel de ponte e mediadora entre Este e Oeste, e a capital moveu-se também geopoliticamente desde a margem ao centro de Europa. As iniciativas dos responsáveis politicos, que nos últimos anos deram importantes impulsos à renovação da aparência da cidade e levaram ao desenvolvimento das zonas residênciais e de ócio na margem ezquerda do Danúbio, como à construção de um dos maiores complexos de museus de arte de Europa (“MuseumsQuartier”), devem corresponder-se com este novo papel de Viena.